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‘A maior inovação pode estar na periferia do país’, aponta futurista dinamarquês

Há 10 anos morando na América Latina – os últimos sete no Brasil, entre São Paulo e Florianópolis –, o futurista dinamarquês Peter Kronstrøm se revela um otimista ao falar sobre o que há por vir no continente. Ele acredita que há muita capacidade de inovação em países como o Brasil, mas falta autoestima à população para permitir um salto que equipare o desenvolvimento da sociedade ao que se encontra em nações mais desenvolvidas, como a região escandinava onde ele nasceu.

Como diretor do Copenhagen Institute for Futures Studies Latin America (CIFS Latam), Kronstrøm pesquisa tendências e aponta caminhos para que os países latino-americanos não fiquem para trás na preparação para o futuro. Falando português e sentindo-se praticamente um brasileiro — ele fala em “nós” ao fazer referência à população do país —, Kronstrøm aponta que há mudanças muito mais importantes que os avanços tecnológicos a serem pensadas quando se fala em futuro.
Propondo questionar “como podemos imaginar o futuro?”, Peter Kronstrøm será o primeiro palestrante do evento Afternow, que começa terça-feira (10) em Porto Alegre e seguirá por um total de sete edições, entre abril e outubro, propondo reflexões sobre as mudanças que estão por vir em diversas áreas. Em sua passagem pela Capital, o dinamarquês concedeu a seguinte entrevista a Zero Hora:

Qual a importância de se falar sobre o futuro?  
      
Entender o que está por vir ajuda sociedades e países a fazer mudanças antes de o futuro chegar. Entender que o futuro não é um bicho estranho também ajuda a conseguir vantagem estratégica. O futuro acontece agora. E colocar isso em pauta nos ajuda a realizar nosso papel em criar o futuro que queremos, um futuro melhor. Esse é um dos objetivos da sociedade. Se não tentarmos fazer um futuro melhor, por que estamos aqui?

Como está a América Latina em um cenário de inovação mundial?
Estou há 10 anos na América Latina, desde que saí da Dinamarca. Há uma década, o mundo era bem diferente. Com meus amigos, meu círculo social e profissional na Dinamarca, havia um tipo de conversa, e era outro tipo em Buenos Aires, outro em São Paulo, outro na Austrália. Nesses últimos 10 anos, o mundo ficou menor. O que estou vendo agora é o mesmo papo em São Paulo e em Copenhague (capital da Dinamarca). É difícil dizer se os países escandinavos, que têm a fama de ser mais orientados para frente, destoam tanto do resto do mundo. Tudo está mais equalizado. Nas minhas palestras, falo muito do potencial de inovação da América Latina.

Os países latino-americanos têm alguma espécie de vantagem nessa preparação para o futuro?

Quase todos concordam que a ameaça do futuro é o desenvolvimento de uma sociedade mais caótica, com mudanças muito mais radicais, que impactem tudo. Para enfrentar esse cenário, a melhor atitude é resiliência. E o que vemos na América Latina são países muito mais prontos para ser resilientes do que na Europa. Por conta da economia cíclica, e também porque na América Latina se está acostumado a enfrentar o caos. Quando surgem crises, as pessoas se levantam e desafiam o problema.

Na Dinamarca, na Suécia, na Suíça, o povo não é tão resiliente. Não tem esse instinto natural para enfrentar o caos, que é bom para promover a inovação. Na Europa, estamos há tantos anos fazendo o correto que não ficamos tão abertos ao novo, como no Brasil. Em uma sociedade mais caótica, o jeitinho brasileiro é ótimo. A capacidade de fazer improvisação, de chegar de A a B contra todos os problemas, é encantadora. Essa improvisação e criatividade ainda faltam na antiga Europa.

É possível que a América Latina se equipare à Europa nos próximos anos?

O que falta um pouco, na minha opinião, é autoestima. Reconhecer que, realmente, aqui somos bons em pensar o novo. E essa autoestima eu gostaria muito de ver nos próximos anos na América Latina. O continente tem muitas cartas na mão. Em termos de pesquisa acadêmica e inovação tecnológica, claro que todo mundo fica para trás em relação à Alemanha e aos Estados Unidos. Mas em termos de pensar o novo, a América Latina está bem colocada.

E o Brasil?

Também falta autoestima aqui. Participo de vários projetos onde pessoas de São Paulo não têm nem ideia do que acontece na área de inovação em Florianópolis, ou no Espírito Santo. E pessoas do Rio de Janeiro não sabem o que está acontecendo em Porto Alegre. Porque dão pouco crédito para as ideias brasileiras. Se o país tivesse mais autoestima e reconhecesse que aqui somos bons em pensar criativamente, de maneira inovadora, os diferentes Estados se preocupariam mais uns com os outros. Quando o brasileiro fala em inovação, sempre quer olhar para fora. E talvez a maior inovação possa ser encontrada na periferia do nosso próprio país.

Quando se fala no futuro, geralmente se pensa em tecnologia. Mas o que mais está envolvido nesse “pensar o futuro”?

No Instituto de Copenhague, nos vemos como um antídoto necessário para o evangelismo tecnológico, para os que pensam que a tecnologia vai solucionar todos os nossos problemas. Fomos fundados em 1970, e trabalhamos com o futuro desde lá. Em nossa experiência, trabalhamos com macrotendências que estão impactando nosso futuro de maneira igual. O desenvolvimento tecnológico é só uma das 14 macrotendências. Então estamos alertando o mundo que se está olhando só para o desenvolvimento tecnológico, quando há muito mais acontecendo.

Por exemplo?

Igualdade entre os sexos. Daqui a 50 anos, ninguém vai lembrar do smartphone, ninguém vai dizer que, em 2017, o smartphone mudou nosso mundo. O que a gente vai lembrar é que essa época foi a primeira vez na história do ser humano em que homem e mulher ficaram equalizados. E talvez a chegada dessa igualdade entre os sexos tenha um impacto muito maior na nossa sociedade. Desenvolvimento tecnológico é importante, sim. Vai solucionar muitos problemas. Não podemos desconsiderar isso. Mas há muitas outras coisas acontecendo e impactando nosso futuro.

Pensando especificamente no Brasil, o que, se continuar do jeito que está, vai ser bom para o futuro, e o que seria ruim se continuasse?

Acho que a curiosidade de transformar o Brasil vai ajudar o país a ir muito longe. O foco na inovação, a felicidade, a improvisação também vão. A modernização da sociedade e o uso adequado de recursos naturais são outros pontos positivos. Ainda há potencial para aumentar a produção agrícola, mas sem prejudicar o ambiente.

Se continuar, a corrupção vai acabar com o país. Mas realmente acreditamos que, em um nível global, vamos ver a diminuição da corrupção nos próximos 10, 20, 30 anos. Novas tecnologias, aumento da transparência na sociedade e mais punição a criminosos, como estamos vendo na Lava-Jato, vão fazer a diferença. Imagina como ficaria o Brasil se a corrupção diminuir em 20%? Seria outro país, outro cenário. Claro que vai ter corrupção no futuro, mas sou otimista, acredito que será cada vez menos.

É possível não abraçar o futuro?

Seria burrice. Um bebê que nasce hoje com acesso a bem-estar e saúde tem expectativa de vida que supera os cem anos. Aí muitas pessoas me dizem que têm medo, que nem querem viver tanto tempo. Mas não é assim. Se você consegue viver bem até os 120, 140 anos, vai querer viver tanto quanto puder. Temos muitos problemas no mundo, mas também estamos melhor do que nunca. Aqueles que têm muito medo do futuro se esquecem de que quem nasceu há cem anos tinha probabilidade muito mais alta de morrer aos 50 anos. Precisamos celebrar isso.


Fonte: Surgiu.com

 
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